Movimento calculado: como Washington Reis ampliou seu poder mesmo fora da disputa

Nos bastidores da política do Rio de Janeiro, poucos movimentos recentes foram tão comentados quanto a articulação que levou a advogada Jane Reis à condição de candidata a vice-governadora na chapa do prefeito Eduardo Paes. Mais do que uma simples indicação partidária, o gesto carrega a assinatura de um velho conhecido do xadrez político da Baixada Fluminense: Washington Reis.

Oficialmente, a escolha de Jane Reis foi apresentada como uma estratégia de ampliação de alianças e fortalecimento da chapa em segmentos importantes do eleitorado, como mulheres, evangélicos e moradores da Baixada Fluminense. Mas, nos bastidores, o movimento é visto como muito mais profundo.

Impedido de disputar eleições por questões judiciais e fora da corrida direta ao Palácio Guanabara, Washington Reis optou por um caminho alternativo: transferir capital político. A indicação da própria irmã não só mantém sua influência no jogo como garante protagonismo em uma eventual vitória da chapa.

A escolha também atende a uma lógica eleitoral clara. A Baixada Fluminense concentra um dos maiores colégios eleitorais do estado, e o grupo político liderado por Reis tem forte presença na região, especialmente em Duque de Caxias. Ao trazer Jane para a chapa, Paes passa a ter acesso direto a essa base consolidada.
Nos bastidores, aliados do prefeito já reconheciam a importância de Reis. Um interlocutor chegou a definir o ex-prefeito como “o vice dos sonhos”, mas sua inelegibilidade impediu a concretização desse plano — abrindo caminho para uma solução familiar.

Outro ponto que torna a jogada ainda mais estratégica é a capacidade de unir campos políticos distintos. Enquanto Paes mantém alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e setores de centro-esquerda, Washington Reis construiu sua trajetória próximo ao campo conservador e ao bolsonarismo.

Jane Reis também agrega um elemento decisivo: a ligação com o meio evangélico. Casada com um pastor da Assembleia de Deus, ela reforça a aproximação da chapa com um eleitorado que cresce em influência no estado.
Esse movimento é visto como essencial para reduzir resistências a Paes em segmentos mais conservadores, especialmente fora da capital.

Enquanto a escolha foi oficializada em evento partidário, o dia seguinte já mostrou que a engrenagem política continuava girando. Após “emplacar” a irmã na chapa, Washington Reis intensificou agendas políticas e reuniões estratégicas, demonstrando que segue ativo e articulando alianças para a disputa de 2026.

Na prática, a indicação de Jane Reis pode ser vista como uma jogada de sobrevivência política e, ao mesmo tempo, de manutenção de poder. Sem poder concorrer, Washington Reis encontrou uma forma de continuar influente — e, possivelmente, decisivo — no futuro governo do estado.
Mais do que uma escolha de vice, o movimento revela como, na política fluminense, alianças familiares, bases eleitorais e estratégia caminham lado a lado. E, nesse tabuleiro, Washington Reis mostrou que ainda sabe jogar — e bem.

O Portal Rci News segue atento às movimentações no cenário Político do Rio de Janeiro.

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Gleydson Soares Leandro