Feira Quilombola encerra 2025 com celebração de arte, cultura e gastronomia em Cabo Frio

Última edição do ano reuniu comunidades quilombolas no Horto Municipal e destacou a produção agrícola, artesanal e a valorização dos saberes ancestrais

Cabo Frio – A última edição de 2025 da Feira Quilombola de Cabo Frio, realizada neste sábado (13), foi marcada por música, gastronomia e pela valorização da produção agrícola e artesanal das comunidades quilombolas da cidade e da Região dos Lagos. O evento aconteceu no Horto Municipal, espaço que recebe a feira todo segundo sábado do mês, e marcou o encerramento da programação anual em clima de confraternização entre expositores e visitantes.

A iniciativa é promovida pelas cooperativas das Comunidades Quilombolas da Região dos Lagos (Cooperquilombo) e da Agricultura Familiar da Região dos Lagos (CoopaLagos), com apoio da Prefeitura de Cabo Frio, por meio das secretarias de Cultura e de Meio Ambiente, Clima e Saneamento. O objetivo é dar visibilidade ao trabalho do povo quilombola e fortalecer a economia solidária, por meio da comercialização de produtos agroecológicos cultivados de forma sustentável, como aipim, inhame, quiabo, banana, feijão, hortaliças e ovos, todos sem uso de agrotóxicos.

O presidente da Cooperquilombo, Altair Barreto, destacou a importância da feira para as comunidades. Segundo ele, o evento abriu um espaço fundamental para o escoamento da produção e o reconhecimento do trabalho quilombola. “A feira trouxe visibilidade para nós, quilombolas, que antes não tínhamos como vender nossa produção. Hoje conseguimos comercializar nossos produtos e dar mais valor à nossa vida. O Horto Municipal virou a casa dos quilombolas”, afirmou.

Além da produção agrícola, a feira também é um espaço de valorização do artesanato tradicional. A artesã Jane Marins, da comunidade quilombola de São Jacinto, em Campos Novos, ressaltou o papel do evento como instrumento de reconhecimento cultural. “Com a feira, conseguimos trazer a nossa arte do campo para o centro da cidade. Mostrar nossa cultura é um ato de resistência e afirmação da nossa identidade”, destacou.

A programação cultural da última edição contou com apresentação da banda Lira Independente de Cabo Frio, projeto formado integralmente por músicos locais e voltado ao resgate da tradição musical da cidade. Sob a regência do maestro Jorge Ramos Tardelli, o grupo se apresentou com a participação da jornalista Fernanda Carriço, uma das fundadoras da iniciativa.

A gastronomia também foi um dos atrativos do evento, com pratos preparados a partir de ingredientes cultivados nas próprias comunidades. Entre as opções estavam nhoque de beterraba, espinafre e inhame, além do tradicional angu à baiana. Para o educador Pedro Paulo Almeida, integrante da cooperativa quilombola, a feira representa um espaço de valorização. “Esse projeto trouxe visibilidade à nossa cultura e é onde nos sentimos reconhecidos”, afirmou.

Em 2025, a Feira Quilombola também foi contemplada pelo edital Territórios em Foco, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Política Nacional Aldir Blanc e do Ministério da Cultura. Atualmente, cerca de 80 expositores participam da feira em sistema rotativo, reforçando o papel do evento como importante ferramenta de inclusão social, cultural e econômica em Cabo Frio.

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Daniel Rodrigues